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Primeiro capítulo de “Amor à Vida” foca no tema central e aposta na emoção

Fotos: Divulgação / Rede GloboUm homem perde a mulher e o primeiro filho na mesa de parto. Desconsolado, vaga pelas ruas e encontra uma menina recém-nascida, que acaba de ser deixada numa caçamba de lixo. A garota é fruto de um amor "bandido" entre uma jovem e um "bicho-grilo", que foi preso por tráfico de drogas. Um vilão sem escrúpulos é o responsável por tamanho sofrimento da mocinha.

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O enredo acima resume toda a ação do primeiro capítulo de "Amor à Vida", nova novela das nove da Globo - a estreia de um texto de Walcyr Carrasco na faixa mais nobre da Globo. Claro, tudo foi contado em meio a altas doses de emoção, produção caprichada e externas nas ruas de São Paulo e em Machu Picchu, no Peru.

À frente do elenco, Paola Oliveira (Paloma, a mocinha), Juliano Cazarré (Ninho, o "bicho-grilo") e Malvino Salvador (Bruno, o herói). A expectativa maior gira em torno de Cazarré, após o Adauto de "Avenida Brasil", e se Paola vai corresponder à altura. Na estreia, ele deu conta do recado, ela estava ofegante demais, sussurrando muito. Malvino parecia o mesmo de sempre. Por vezes, vi o Quinzé de "Fina Estampa" (2011) em cena.

Nenhum deles, porém, despertou mais atenção (e deve ser assim nos próximos meses) que Félix (Mateus Solano), o vilão da vez - após mulheres terem brilhado no horário nesse quesito: Carminha (Adriana Esteves), em "Avenida Brasil", e Wanda (Totia Meirelles), em "Salve Jorge". O personagem, demonstrou não estar para brincadeira, com uma frieza desconcertante.

Félix (Mateus Solano): versão masculina de CarminhaA cena dele abandonando a sobrinha na caçamba foi só uma amostra e o ápice das armações pra cima da irmã (fingindo ser bonzinho). Será a versão masculina de Carminha? Adriana Esteves virou ponto de referência, ainda mais depois da cena do lixo. Vale lembrar, que o personagem é um gay enrustido, casado com Edith (Bárbara Paz).

Intenção do autor de mostrar que qualquer pessoa, independentemente de gênero, pode ser boa ou má. Mesmo com altas doses de vilania, Solano conseguiu imprimir doses de leveza ao personagem, com tiradas irônicas e um humor ácido. Ainda deixou transparecer trejeitos (propositais) ao gesticular. Seriam as famosas escorregadas, que só a mulher não vê?

Nas primeiras cenas, a história (ainda em 2001) girou em torno da relação de Paloma com os pais, César Khoury (Antonio Fagundes) e Pilar (Susana Vieira). Em meio às paisagens de Machu Picchu, Carrasco se preocupou em explicar a razão de cada conflito nessa teia familiar e o ódio que Félix sente pela irmã, que ele diz ser adotiva. Apesar do capricho da locação e da "cara de cinema", o início se mostrou um pouco cansativo e até seco (senti falta de trilha sonora!).

A história ganhou fôlego a partir da prisão de Ninho no aeroporto (Bolívia-Brasil), diante de Paloma grávida. As cenas em São Paulo já mostraram mais ritmo. A "costura" entre o que ocorria na família dos Khoury e o drama de Bruno incrementou a ação. Aliás, foi muito bonita a cena em que ele chora a morte da mulher (participação especial de Gabriela Duarte), consolado pela mãe, Ordália (Eliane Giardini), e pela médica Glauce (Leona Cavalli), grande atriz, num bom momento.

Embora densa logo de cara, sabemos que "Amor à Vida" não deve ser uma novela sombria, mas apostar em núcleos mais vibrantes, após uma passagem de tempo de 12 anos. Com aqueles encontros, desencontros e coincidências típicos da ficção, promete não fugir à regra do novelão clássico.

A panelinha de Carrasco está toda em cena (assim como outros autores têm as suas). Além de Solano, Elizabeth Savalla (aparição rápida, mas marcante na estreia, assim como Gabriela Duarte), Ary Fontoura, Vanessa Giácomo, Fúlvio Stefanini, Neusa Maria Faro, Vera Mancini, Fernanda Machado, Anderson di Rizzi, Marina Ruy Barbosa e Klara Castanho.

Fabiana Karla, como uma enfermeira virgem, e Tatá Werneck, como uma periguete, prometem. Há ainda bons nomes do teatro e do cinema paulistanos: Cristina Mutarelli, Christiane Tricerri e Sandra Corveloni. Vamos aguardar porque, na comédia ou no drama, muito ainda está por ser revelado. Félix que o diga!

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Sobre Gustavo Baena

Gustavo Baena é jornalista e já passou por diversas mídias: TV, jornal, rádio e webTV. Foi repórter e apresentador de programas jornalísticos e de entretenimento na RedeTV!, Band e TV+. Ainda assinou colunas e críticas sobre televisão no Diário do Grande ABC, Diário Popular e Diário de S. Paulo/Organizações Globo. É um incansável pesquisador da história do veículo e seus bastidores. Entre os focos de estudo, estão telenovelas latinas (exibidas no Brasil ou não), remakes e, claro, as produções nacionais. Também é roteirista profissional e empresário de Comunicação. Desde 1º de março, é crítico de TV do Yahoo e assina o blog "Sob Controle", analisando destaques da programação.