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Último capítulo: Expectativa de que Cauã voltasse frustra público do sucesso “Amores Roubados”

Fotos: Divulgação Rede Globo / Reprodução de TVAcostumado aos finais felizes das novelas, o telespectador estranhou o desfecho da minissérie "Amores Roubados", que a Globo exibiu na noite desta sexta (17/01). Não faltaram críticas ao último capítulo nas redes sociais, muito provavelmente pela expectativa de que o personagem Leandro (Cauã Reymond) estivesse vivo. Mas é outra linguagem!

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Escrita por George Moura, a minissérie foi baseada no livro "A Emparedada da Rua Nova", do recifense Carneiro Vilela (1846-1913). Na obra, o sedutor do sertão é realmente assassinado por Jaime (Murilo Benício) e até Antônia (Ísis Valverde) tem um final trágico (e bizarro!): é emparedada viva a mando do pai, que descobre que ela está grávida.

Já na TV, no dia do acidente de Leandro, ficou no ar a ideia de que ele pudesse estar vivo. Esse recurso do autor para confundir o público - o movimento da mão do personagem ensanguentado dentro do carro e um sertanejo passando próximo do local - gerou expectativa. Creio que era essa a intenção para prender a audiência.

E confesso que não queria que Leandro estivesse vivo. Imagina! Pelo andamento da história nem tinha clima pra ele voltar. Nem mesmo para ficar com Antônia, depois de ter se envolvido com a mãe dela, Isabel (Patrícia Pillar). Foi coerente.

Decepcionante, sim, foram outros desfechos que poderiam ter sido melhor trabalhados, como o do capanga João (Irandhir Santos). Insinuou-se que ele tenha pirado, após matar o comparsa Bigode de Arame (Cesar Ferrario), mas fica na imaginação de cada um.

Já Fortunato (Jesuíta Barbosa) optou por não revelar à Carolina (Cássia Kis Magro), endinheirada, que o filho dela havia sido assassinado. Celeste (Dira Paes) voltou às boas com Deodoro (Osmar Prado), após um exame de DNA comprovar a paternidade do filho do casal. Depois de Jaime cair de um precipício e morrer, Antônia e Isabel (que sai do sanatório) aparecem cuidando do pequeno Leandro (um "renascimento", prometido pelo autor).

"Amores Roubados" foi um dos mais bem-sucedidos produtos da Globo nos últimos tempos, com audiência na casa dos 30 pontos - o que não se via desde 2007 (numa minissérie). Até mesmo depois da estreia do "BBB14" não perdeu fôlego (embora alguns pontos de audiência tenham sido sacrificados). O capítulo final marcou 27 pontos. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.

Ótimo texto (George Moura já havia escrito "O Canto da Sereia"), direção impecável (de José Luiz Villamarim; repetindo parceria com o autor) e trabalho minucioso dos atores (dos tarimbados às revelações) na composição dos personagens. Além da fotografia, que revelou paisagens exuberantes do Nordeste, às margens do rio São Francisco.

Na última semana, o erotismo dos primeiros capítulos deu lugar à tensão. Curiosamente, os coronéis - embora cornos e buscando vingança - continuavam reféns de suas mulheres. Esse clima tenso, talvez, tenha faltado ao último capítulo. Esperamos demais por ele.

Mas o fato é que "Amores Roubados" não foi previsível e didática, como muitos queriam (com tudo bem explicadinho). A única certeza: a história começou em tragédia e, pelo desenrolar (numa crescente), só podia terminar nisso!

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Sobre Gustavo Baena

Gustavo Baena é jornalista e já passou por diversas mídias: TV, jornal, rádio e webTV. Foi repórter e apresentador de programas jornalísticos e de entretenimento na RedeTV!, Band e TV+. Ainda assinou colunas e críticas sobre televisão no Diário do Grande ABC, Diário Popular e Diário de S. Paulo/Organizações Globo. É um incansável pesquisador da história do veículo e seus bastidores. Entre os focos de estudo, estão telenovelas latinas (exibidas no Brasil ou não), remakes e, claro, as produções nacionais. Também é roteirista profissional e empresário de Comunicação. Desde 1º de março, é crítico de TV do Yahoo e assina o blog "Sob Controle", analisando destaques da programação.